quinta-feira, 15 de abril de 2010

Radical, Prefixo e Sufixo

Quem nunca se viu perguntando sobre a grafia de uma palavra? Mas não saber não te faz uma pessoa sem cultura. Antes de mostrar algumas, vamos entender o que são radical, prefixo, e sufixo.

Radical - é a parte que não muda nas palavras.

Prefixo - é a parte que vem antes do radical, essa é fácil, já que "pre-alguma coisa" é bem recorrente em nosso vocabulário.

Sufixo - é a parte que vem depois do radical.

Vamos dar um exemplo bem facinho: Felizmente - "feliz" é o radical e "mente" o sufixo.

Mas as palavras que interessa ao blog e vamos analisar daqui para frente, são as de cunho acadêmico, filosófico e religiosa.

Em cristianismo, budismo, islamismo, judaísmo, zoroastrismo e hinduísmo, nós temos o sufixo "ismo" que é de origem grega, "ismó", designando um conjunto de crenças ou doutrinas de um determinado grupo, podendo ser de linha escolar, religiosa, filosófica, teatral, política e musical.

O sufixo "ismo" gera algumas confusões, em medicina ele tem uma conotação patológica, doença. No dicionário Houaiss temos essa explicação: "...usado para falar de uma intoxicação de um agente obviamente tóxico", também nos remete a problema, uma disfunção. Isso leva algumas pessoas a terem a péssima compreensão desse sufixo em nomes religiosos, os mais peversos, acabam fazendo essa analogia com a outra e por preconceito acabam acusando os crentes de tais religiões de "doentes de deus", já que para eles " sua raiz 'vocabólica' os condena".

Em parte essa confusão ocorre devido a uma discussão que atingiu todas as esferas da sociedade: Homossexualismo é uma doença ou um modo de ser? Se é uma doença, o sufixo está sendo usado corretamente, essa é a crença de muitos líderes religiosos nas principais religiões abraâmicas, que o "homem homossexual" está sofrendo de um problema clínico ou de um distúrbio mental. Para a Medicina o termo deixou de ser tratado como patologia na década de 80, isso lá em 85. O termo homossexual muda e vira "homossexualidade", o sufixo "dade" é adicionado, significando "modo de ser", comportamento.

É raro termos muitos neologismo em religião com o sufixo "dade", temos "cristandade" que quer dizer: Conjunto dos povos ou países cristãos. Num sentido específico, podemos falar que esta palavra representa uma corrente de pesamento, que é política e socialmente cristã, tido muitas vezes como uma"teocracia cristológica", bem medieval e bem "vaticânica".

A palavra cristandade foi usada na Idade Média para distinguir os cristão ocidentais europeus mais "puros" daqueles do outro lado do mundo, mais "sujos", que poderiam ser remidos pelo sangue de cristo. Embora não tenha hoje uma conotação negativa, muitos cristãos não aceitam essa palavra, pois acreditam que ela está revestida de práticas totalmente corrompidas, embora passe de "boa palavra".

Então, resumidamente podemos dizer que o sufixo "dade" caracteriza individuo e o sufixo "ismo" grupo, sistemas de crenças. Fazer parte de um desses "ismo" não é ser doente, mas infelizmente só no papel, já que estar comungando de muitos credos atuais ou milenares, é estar adorando o deus do fundamentalismo e do fanatismo.

(Texto extraído do blog mundo religare, escrito por Fábio Neves)

Afinal, Cristo está em mim (-dade) ou é um conluio programático e sistemático de outros (-ismo)? Para se pensar...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

AOS QUE QUEREM ENSINAR A PALAVRA…

De quem é a responsabilidade pelo erro coletivo entre os que confessam o Nome?...

É claro que o povo é responsável também, mas, na Bíblia, a maior responsabilidade é de quem não é povo, como o rei, o sacerdote ou o falso profeta...

Na Bíblia os verdadeiros profetas não poupam o povo, mas o tratam como um menino tolo e enganável...

Oséias diz que assim como é o povo é o profeta, e assim como é o profeta é o povo...

No entanto, é o profeta que diz: “Eu tenho a Palavra do Senhor!...” — o povo apenas diz: “Conta-nos então...”; e, frequentemente, ouve sem saber discernir a mão direita da esquerda...

Por isto o povo sofre... Sim, em razão de seus profetas vendidos, sacerdotes gordos de conforto e reis corruptos e luxurientos...

Nos evangelhos vemos o amor e a compaixão de Jesus pela gente do povo, chamando-os de ovelhas sem pastor...

Assim Ele diz que quem sabia pouco e errou conforme o que sabia, esse levará “poucos açoites”, mas o que sabia muito e não curou os seus próprios caminhos, antes deliberadamente continuou em seu erro, esse levará “muitos açoites”...

As piores advertências do Novo Testamento são feitas a quem diz que sabe..., a quem diz que vê..., a quem diz que conhece e propõe que outros façam conforme ele diz saber...

As únicas vezes que Paulo menciona nomes negativamente nas suas cartas, todas elas têm a ver com aqueles que diziam que sabiam, mas ensinavam o erro...

O mesmo se pode dizer de Pedro. Suas duas cartas lidam com os que diziam que sabiam e ensinavam errado...

Judas, o irmão do Senhor, também dedica a sua cartinha aos que diziam que sabiam e ensinavam, e, por isto, corrompiam o povo pelo engano de seus ensinamentos...

As duas últimas cartas de João se referem também aos que impediam o povo de ter acesso ao que era bom e verdadeiro...

Por último, à exceção da Carta à Igreja em Filadélfia, todas as cartas às Igrejas do Apocalipse, são textos de advertência ao “anjo”, ao mensageiro; e, além dele, aos que no grupo diziam que sabiam, e, portanto, ensinavam errado e corrompiam...

Tiago diz:

“Não nos esqueçamos irmãos que aqueles que dizem que são mestres, esses receberem muito maior juízo!”

O que pode qualificar então alguém para anunciar o que sabe?

Primeiro: saiba apenas o que está revelado... Todos os problemas acima mencionados com Paulo, Pedro, Judas, Tiago, João e outros, sempre se vincularam ao que os “mestres traziam como novidades”...

Segundo: ensine somente aquilo que você sabe que Jesus ensinou e que os apóstolos ensinaram; portanto, não invente...

Terceiro: veja quais são as implicações de suas opiniões em relação ao que já esteja revelado... Não tenha opinião que se choque com a revelação, nem ao menos de resvalo...

Quarto: creia que você se torna responsável pela mentira, pelo engano, pelo distorcimento, pela perda de rumo que seu ensino sugerir...

Quinto: saiba que sua falta de fé não deve ser sua mensagem, pois, por ela você será cobrado...

Sexto: por mais cheio de conhecimento que você seja..., ainda assim não pregue se você apenas souber sem fé... Não anuncie nada sem fé... Nem mesmo um grande conhecimento!...

Sétimo: saiba que aquele que ensina fabrica idéias e pensamentos... Portanto, veja o que você semeia na mente das pessoas... No fim você será cobrado por todas as sementes hibridas que plantou ou por todas as sementes que você anunciou como sendo de uma qualidade... , quando, de fato, eram de outra...

Leva tempo até que a Palavra seja decantada em nós...

Por isto se diz que o “neófito”, ou “recém”, o “novinho”, “o jovem imaturo”, ou o “homem empolgado”..., não devem sair pregando; antes, precisam dar tempo ao tempo, e ver que qualidade de fruto será produzido em sua própria existência...

E mais:

Se em sua casa, com os seus, você não frutifica o Evangelho, por que haveria você de pregar a outros... se você não faz o Evangelho mostrado em silencio pela sua própria vida?...

A seara é grande e os trabalhadores são poucos... Mas Jesus não mandou treinar e nem recrutar...

Não! Ele disse que se deveria pedir ao Senhor da seara para que Ele mesmo mandasse trabalhadores para a Sua seara!

Assim, melhor do que uma multidão de pastores que não sabem discernir entre a mãe direita e a esquerda... — é se ter apenas uns poucos pastores maduros, mas que façam tudo com amor e certeza em fé.

Não se apresse em levantar-se para pregar!...

Deixe que a Palavra levante você!

Quanto ao mais, apenas compartilhe o que seja o amor de Deus em você, mas não se apresse em ensinar...

Pense nisso!...

Nele,

Caio

(texto extraído do site CaioFabio.net)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

NO BRASIL, FUTEBOL É RELIGIÃO



Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você trem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho.

Fonte: Creio / JovemX.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O bêbado e a (des)equilibrista



Num ônibus de São Paulo, numa manhã chuvosa, um homem aparentemente bêbado e mal-cheiroso entra no coletivo e senta-se ao lado de uma senhora, na parte da frente, próximo ao motorista. Como toda língua alcoolizada, a dele não se conteve em se manter calado e começou a discursar sobre a vida, a morte e as mazelas do dia a dia. Ninguém deu muita bola ao homem até que ele resolveu falar que de nada na vida valia a pena... e uma outra senhora no banco do outro lado do corredor retruca:

– Não é verdade, Jesus está conosco para nos fortalecer e nos salvar!

– Salvar? Salvar do quê?? Sabia que existe mais mortos do que vivos nesse mundo? E o que Jesus fez?

A partir daí o que se sucedeu foi um desafio atrás do outro, onde o bêbado levantava diversas questões sobre bíblia, pastores, vida pós-morte, espíritos, Deus, Jesus, Davi, Golias e tudo o mais que ele pudesse sustentar sobre o que para ele era apenas ILUSÃO.

Aquela senhora ficou totalmente sem rumo com tantas indagações e foi emundando conforme as perguntas do bêbado ficavam sem respostas.

Alguns no ônibus diziam entre si que o homem era louco, outros diziam que podia ser louco, mas tinha razão em muita coisa. Eu só observava no que isso ia dar e o resultado foi: vitória do bêbado por nocaute!

Não sei o que sustentava a fé daquela senhora, mas era nítida a sua falta de clareza naquilo que ela cria. Não que alguém espera que se ache um vencedor numa discussão com um homem embriagado, mas a disposição de se iniciar um diálogo falando de Jesus espera-se ao menos uma afirmação pessoal do que Jesus é em sua vida, pois se Ele veio para salvar, veio salvar do quê? Para quê? Preciso disso?

Falta àqueles que se dizem cristãos ter uma posição pelo menos parecida com a do cego de nascença curado por Jesus e interrogado pelos judeus:

– Uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.

Uma coisa eu sei, é que eu era um religioso cheio de discursos prontos, medroso, que temia a vida e as suas reviravoltas. Eu adorava manter a minha rotina de pecados secretos, achando que os meus rituais semanais me livrariam do inferno.

Só que quando percebi que Cristo veio a mim para me libertar de tudo o que eu queria controlar, de que a vida com Cristo é um chamado à liberdade, posso viver como um caminhante da vida, um hebreu e não como um ébrio ou um prisioneiro seja lá do que for, bebidas, religião, sexo... O chamado é para a liberdade, somos livres até da morte que foi vencida em Cristo, que nos ama de forma incondicional e radical!

Realmente, não fui lá na frente do ônibus abrir esse diálogo com aquele homem, na hora não tive esse discernimento. Desci do ônibus e o homem continuava a verbociferar não sei mais com quem, pois aquela mulher já olhava a chuva do lado de fora ignorando-o.


"Senhor, que os seus servos digam aquilo que brota no coração, crendo que o Teu Espírito lhes ensinará o que falar no momento propício. Se não tocar a vida do bêbado, que seja para testemunhar àqueles que estão ao redor. A começar em mim... Amém".

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dica musical

Para quem acha que a música cristã se limita ao circo góspi, com grandes gravadoras produzindo mais do mesmo e com aquelas músiquinhas-chicletes cheias de rimas pobres, segue aqui um alento.

Baixo & Voz é mais que uma dupla, é um casal cheio de musicalidade brasileira em suas veias! Sérgio e Marivone são da cidade de Ribeirão Preto e já estão na estrada há mais de 15 anos!

E pra melhorar, no site deles (http://baixoevoz.blogspot.com/) está disponível para download o último trabalho "Viagens de Fé". Altamente recomendável!!

Enjoy!

Para saber mais acesse também:

Podcast do JVnaEstrada #23
Podcast #023: A Música dos Cristãos- Uma (não) contribuição para a cultura brasileira.

sábado, 27 de março de 2010

Assembléia, congregação e choldra

Outro dia abri uma gramática me deparei com uma relação de substantivos coletivos e observei o significado de assembléia: reunião de parlamentares, membros de uma associação. Para quem é crente antigo como eu, logo vem à mente a denominação Assembléia de Deus, ou a assembléia dos santos, dos anciãos, ou do Senhor, mencionada na bíblia.

O fato é que, por ser oriundo da igreja metodista, não é um termo que costumo usar corriqueiramente. Aliás, nunca me refiro à igreja como assembléia, pois acabo por relacionar como uma reunião de parlamentares mesmo e isso não soa nada agradável ou, infelizmente, digno.

Também vi na gramática o coletivo congregação: reunião de religiosos, de professores... Me parece que congregação é um termo mais comum, apesar de que também pode-se remeter ao grupo da Congregação Cristã do Brasil e, não, não sou a favor daqueles rigores legalistas dos quais eles seguem. Além do que, por definição metodista, a congregação é uma igreja em formação, que ainda depende de uma outra comunidade para caminhar, precisa ainda de apoio, ou seja, uma igreja com pouca estrutura organizacional.

Mas a verdade é que no final os dois coletivos querem passar a idéia de reunião de pessoas para determinado fim, com propósitos em comum. Aliás, igreja também é um coletivo com o mesmo sentido, com a mesma idéia de ajuntamento. Esse negócio de achar que igreja já vem com a carga de cristandade já no termo é coisa do nosso condicionamento mental ocidental, pois o termo grego, ekklesia, se referia a qualquer tipo de ajuntamento de pessoas.

Taí, igreja, assembléia, congregação, fique com o termo que você quiser, só não escolha outro coletivo que li nessa mesma lista: choldra.

Porque não é de hoje que muitas assembléias são tomadas de choldras e muitas congregações são manipuladas pelas choldras.

Aí, usa-se o poder da palavra, travestida de Palavra de Deus, para ser choldra, corja: canalhas, patifes, ordinários, estelionatários, seres repugnantes.

Me atrevo a dizer que no meio evangélico a maior parte dos líderes religiosos são esses politiqueiros, interessados em poder, grana, status; e para isso não medem esforços em comandar rebanhos inteiros das formas mais diabólicas que se podem encontrar. Sei que isso é comum em muitas outras religiões, mas vou ater-me ao meu quadrado, já diria aquela linda canção...

Por isso prefiro agir e estar pelas beiradas. Por isso quero seguir no Caminho, aprendendo com quem quer ensinar a centralidade do evangelho, Cristo, e não se deixa levar por interesses que não são do Reino. Não quero compactuar com nenhuma choldra.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Perda, privada e práxis



Estou lendo um livro escrito pelo Ed René Kivitz, chamado O livro mais mal-humorado da Bíblia, que aprofunda um estudo sobre as angústias e incertezas do Eclesiastes. Nesse livro, percebemos como vivemos numa vida em que somos reféns do tempo e do acaso e que muito pouco podemos fazer a respeito para que consigamos mudar uma certa circunstância.

Parece uma visão pessimista ao extremo, mas, como diz o próprio autor do livro, na verdade ela é realista. Sim, todos nós estamos suscetíveis a todo o tipo de situação nesse mundo, seja ela boa ou má. Mas uma coisa, o Eclesiastes sabe: o que nos resta é a confiança em Deus. Tá bom, duas coisas: e que devemos aproveitar a vida da forma mais sábia, amando as pequenas coisas da vida, dando valor a elas.

Este preâmbulo todo que me fez abrir esse post é apenas para relatar uma pequena coisa, mas que percebemos o valor que damos a cada situação (corriqueira) da vida. Aí vai a história:

Minha sobrinha Bia, de um aninho foi em casa um dia desses e em um momento que minha filha, Raquel, precisou ir ao banheiro, ela foi junto com uma bonequinha da personagem Moranguinho nas mãos. Quando minha esposa disparou a descarga, a minha pequena sobrinha tacou a bonequinha dentro da privada e que teoricamente teria ido literalmente pro ralo. Digo teoricamente porque a bendita da boneca ficou presa na passagem para o encanamento, pois ela tinha um chapelão preso na cabeça que impediu que a mesma fosse conhecer os esgotos de São Paulo.

Só que fomos perceber o tal entalamento no dia seguinte após alguns depósitos fecais insistirem em não ir embora. Pois bem, no dia seguinte, lá vai eu tentar algum procedimento para desentalar a Moranguinho (com chocolate) da nossa privada. Enfiei a mão num saco plástico, amarrei um elástico no ante-braço e fui escarafunchar degetos para o resgate supremo da chapeluda boneca. Nisso, a Raquel pegou um banquinho e começou a assistir o meu martírio de camarote, na esperança de rever a sua Moranguinho.

Cutuca de lá, cutuca de cá, descargas para tentar limpar o ambiente e depois de tanto mexer, enfim, consigo puxar a danadinha e nojentinha boneca. – Consegui!, gritei. – Deixa eu ver, papai!, ansiava a minha filha. O estado dela não era nada agradável. Mostrei para ela e falei que infelizmente ela não teria mais como brincar com ela, pois ela tava muito suja e teríamos que jogar fora. Foi o que eu fiz. Enfiei num saco plástico e joguei no lixo externo do prédio.

Quando eu voltei, encontrei minha filha deitada na cama com a minha esposa aos prantos. – Minha Moranguinho, minha Moranguinho... – Calma, você vai ganhar outra, dizia mamãe cuidadosa. No dia seguinte, minha filha estava muito feliz porque estava assistindo o desenho da Cinderela que ela gosta muito...

A perda, em qualquer de suas proporções, nos faz perceber a nossa pequenez em relação ao acaso desse mundo e na nossa impossibilidade de controle total de nossas vidas. Por isso, como no Eclesiastes, que sejamos guiados pelo vento, pelo Espírito, para que, em meio à perda, tenhamos consciência de que esse mundo incontrolável (para nós), pode ser muito bem aproveitado por quem percebe que o outro dia é um novo dia...

Nas devidas proporções, é isso.

terça-feira, 9 de março de 2010

Banho de pipoca dos evangélicos e "passe" gospel

PERGUNTE AO PASTOR:
Uma conhecida passa por crise no casamento. Está deprimida, pois foi traída pelo marido. Procurou a umbanda para solucionar seus problemas. Lá, 'rezou' o Pai- Nosso, tomou banho de pipoca e disse ter saído se sentindo ótima. O que dizer a ela?


Rev. Antônio Carlos Costa

Fazer teologia em cima de experiência é um erro. Teologia é uma ciência que deve ser elaborada com base em doutrina revelada nas Escrituras Sagradas, jamais na experiência humana. O conhecimento da verdade deve ter como fundamento, a solidez do ensino dos profetas e apóstolos - o Antigo e o Novo Testamento -; em hipótese alguma, a areia movediça das experiências humanas.

Uma pergunta como essa é ótima, porque lança grande quantidade de luz sobre a qualidade do cristianismo que vivemos em nossas igrejas. Para o evangélico comum, é óbvio que essa pessoa não teve uma experiência com Deus, pois Deus jamais haveria de se revelar ao homem numa sessão de macumba, através de crendice pagã -banho de pipoca, verdadeiro ultraje à dignidade humana -, e com sua Palavra sendo usada sem entendimento algum. O fato de a moça se sentir melhor, não quer dizer nada, em razão do fato de seu alívio psicológico não ter como causa uma real apreensão intelectual da verdade, capaz de atingir o coração e mover a vontade. Bom, pelo relato tão sucinto da experiência, essa seria também a minha conclusão.

Aquilo em que difiro do que em geral é capaz de fazer a leitura supracitada, é na certeza que tenho de que esse tipo de experiência acontece dentro das nossas igrejas. O ritual é outro. Sabemos, bem diferente. Mas, o engano é o mesmo.

Nas igrejas do nosso país, milhares têm passado por experiências sem a mínima relação com a verdade. O argumento usado para defender o que é feito nessas igrejas em nome do cristianismo, é da mesma natureza das justificativas usadas para se defender as experiências que um número infindável de pessoas têm nas seitas. Elas relatam haver experimentando grande paz e alívio.

Leia +.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Um novo tempo

Dois filhos, uma menina e um menino
A menina, se com o pai está, o menino com a mãe terá

O menino ainda muito novo ainda não se interessa em brincar mais um pouco
A menina, por ser a mais velha, quer um pingo mais de uma cantiga daquela

A menina, toda meiga e falante, não se incomoda em ser a mais vibrante
O menino, ainda nas inflexões de sua formação, quer mais é ouvir o coração

O menino ainda é domado, sem esforço para deixá-lo no lado
A menina já é arredia, pula e salta por baixo e por cima

A menina dorme a noite toda, mas usa todos os cantos da fronha
O menino dorme acorda e acende, mas depois de algumas horas se rende

O menino cresce muito rápido, no comprido das minhas pernas ficou árido
A menina ainda pede colinho, não quer deixar os braços de quem está curtindo

Menina, menino, cresce em nós
Mamãe, papai, cresce em nós

terça-feira, 2 de março de 2010

Canções inspiradas por Deus [1]

De vez em quando colocarei aqui no blog canções inspiradas por Deus que refletem o caminho que trilhamos junto ao Criador, mas que pouco carrega algum espírito religioso, cheio dos clichês e mesmices que as canções góspi estão lotadas.

Começarei com essa canção ungida dos Titãs.

Enquanto Houver Sol

Composição: Sérgio Britto

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Aonde Deus colocou...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...(3x)