quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O PERIGO DAS IGREJAS TRADICIONAIS

Esses dias um leitor angustiado me enviou uma mensagem: "Dani, precisamos abrir os olhos dos cristãos adormecidos dentro das igrejas tradicionais! Por favor, quando puder escreva sobre o assunto! Depois de citar diversos fatores, terminou dizendo: "A coisa é um vespeiro e um mato sem cachorro tudo junto!" Bom, pra mim é fácil falar, pois nasci e cresci dentro de uma igreja tradicional, fiz toda a minha vida lá dentro. Entendo perfeitamente a angústia deste leitor. Infelizmente esta é a realidade das grandes e históricas organizações religiosas. Existem as exceções? É claro que sim! As instituições espalhadas pelo mundo estão recheadas de pessoas que amam a Deus e desejam serví-lo com sinceridade de coração, tenho certeza disso. Mas hoje, enxergo a instituição apenas como uma ferramenta para facilitar a Igreja (corpo vivo) no seu ministério de 'ir e fazer discípulos'. A partir do momento que ela perde o foco, deixa de ser útil e passa a atrapalhar. A difícil escolha que é oferecida há séculos aos cristãos das igrejas tradicionais, não é entre Jesus ou Barrabás. Se a escolha fosse esta, seria fácil demais, pois ninguém em sã consciência se identificaria com um assassino. A escolha que nos tem sido apresentada desde sempre é: Jesus ou Caifás? E Caifás nos engana, pois se mostra um homem justo, bom e religioso. Sua influência é perigosíssima, pois nos faz acreditar que estamos vivendo a vontade de Deus, quando na verdade estamos servindo à instituição. Para Caifás, o sagrado são as estruturas e doutrinas, e infelizmente seu espírito é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem exitação gente boa de Deus que infringem alguma lei religiosa ruim, mas sempre por uma boa razão: pelo bem do templo, pelo bem da igreja, pelo bem da denominação...
 

No geral, a igreja institucional perdeu o seu foco. Ao invés de proclamar Jesus, vive na ânsia de superá-lo. As tradições eclesiásticas, doutrinas e leis humanas tem usurpado o lugar de Jesus. Para a grande maioria, a palavra "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" é apenas dita de pulpito, não é vivida. A igreja atribuiu a si mesma a função de proteger as almas confiadas a ela, para que se libertem da ansiedade e do tormento da decisão pessoal e da responsabilidade: "Porque nós, que nos dispusemos a liderá-las, estamos prontos a suportar essa liberdade!" Liberdade esta que eles fogem com horror, pois para eles, ser livre é coisa do capeta! E a questão principal deixou de ser: "O que Jesus diz?" e se transformou em: "O que a igreja diz?", pois apoiar-se na letra da lei é muito mais fácil. A grande maioria dos religiosos ainda não experimentou o que Paulo chama em Romanos 8:21 de "a gloriosa liberdade dos filhos de Deus". Eles vivem na casa do medo, do temor, e esquecem-se que "no amor não existe medo, pois o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor". A sua liberdade vem pela fé em Jesus ou pela obediência à cartilha de regras e doutrinas da sua denominação? "Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei pois firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" (Gl 5:1). As expectativas colocadas em nossos ombros pela instituição, exerce uma pressão sutil, mas controladora no nosso comportamento, já a liberdade em Cristo, produz uma saudável independência da pressão do grupo. Precisamos ficar atentos!
 

Esse espírito de hipocrisia vive nos clérigos e políticos religiosos que desejam construir uma boa imagem ou carreira, mas por dentro nunca foram bons. Vivem de aparência e de muito falar. Preferem entregar o controle da suas vidas à regras e doutrinas a correr o risco de viver em sinceridade e transparência diante de Cristo e da comunidade. Eugene Kennedy escreve: "O demônio habita na ânsia de controlar em vez de libertar a alma humana". Já viu essa história antes? Pois eu já! Os cristãos tradicionais adormecidos vivem caminhando em fila indiana, atemorizados por líderes e grandes estruturas religiosas que os forçam a viver o seu modo de integridade. Tentam nos intimidar de forma muito sutil, de modo que entreguemos cegamente a nossa alma à Caifás: "Não falte à Escola Dominical!", "Venha aos cultos matutinos e vespertinos", "Não deixe de contribuir!", "Venha aos cultos de Santa Ceia!", "Sair da denominação é rebeldia!", "Não pertencer a uma igreja institucionalizada é perigoso", "Domingo é dia de ir à igreja", "Pastor precisa de diploma", "Só líderes ordenados podem ministrar a ceia, batismos e casamentos", "Contrariar a vontade da liderança é pecado!", "Não roube de Deus. Os 10% pertencem à Ele!. As ameaças disfarçadas de zelo são muitas. Mas quando me aprofundei nos Evangelhos, percebi que Caifás faria esse tipo de afirmações, Jesus não. Foi aí que decidi pular fora da fila indiana.
 

Um cristão sincero jamais colocaria o cumprimento de uma regra ou doutrina acima de uma vida. Pra mim, é absolutamente inaceitável que um pastor lute com todas as forças para retirar o automóvel que uma família recebeu como doação da comunidade num momento de necessidade, simplesmente porque foge às regras da denominação. Um verdadeiro servo de Deus jamais veria impecilho em batizar irmãos por imersão simplesmente por ter nojo da água. Alguém que diz ter o dom de pastor jamais se referiria aos irmãos das congregações mais humildes de 'mortos de fome e gentalha'. Um líder cheio de Deus jamais influenciaria um membro de menores condições financeiras a  colocar apenas R$ 10,00 no envelope do dízimo para aumentar o números de dizimistas no seu relatório da igreja. Um homem transbordando do amor de Deus jamais impediria um leigo de subir ao altar e orar pelos amigos noivos, simplesmente por ele não ter uma formação teológica. Um homem movido pelo Espírito Santo jamais convidaria irmãos mais abastados para sair de suas igrejas e passar a frequentar a dele. Um homem que busca ter o caráter de Cristo jamais trataria os membros de sua comunidade como peças de um tabuleiro, trocando-as de lugar em busca de benefício próprio. Um discípulo de Cristo jamais praticaria racismo, preconceito, mentiras, palavras de bajulação, centralização de poder, manipulações, difamações, calúnias e coisas do tipo. "Mas será que isso realmente acontece dentro das igrejas tradicionais?" Sim, estou falando do que eu vi, ouvi e vivi! E querem saber? Coisas muito piores do que esta acontecem. Já ouvi inclusive relatos de ameaças com arma de fogo dentro de gabinetes pastorais. Hoje não me escandalizo mais, apenas me entristeço. Meu processo de despertamento foi bastante lento, mas louvo a Deus porque em meio a dor, ele aconteceu.
 
E se você também deseja identificar se a liderança da sua igreja tradicional anda fazendo discípulos de Caifás, perceba como ela trata um irmão no dia-a-dia, como reage ao bêbado e à prostituta marcados pelo pecado, como responde à interrupções de pessoas que não gosta, como lida com gente humilde ou de raça diferente. Ela é humana ou vive um personagem? Abraça, chora e caminha junto? É humilde no agir e no falar? É serva ou controladora? É sincera ou vive de mentiras e manipulação? É expert em encenação? Transmite o caráter de Cristo em suas palavras e ações? Um sinal forte de proclamadores do 'evangelho de Caifás' é o muito falar.  Eles necessitam de auto-promoção: "Fomos visitar o doente", "Fomos à casa da viúva", "Ajudamos o irmão necessitado", "Fizemos uma doação", "Nosso encontro foi um sucesso!", "Chegaram novos membros", "A igreja está crescendo!", etc e etc. Mas não se engane, um discípulo de Cristo NÃO possui essa necessidade, pois o seu testemunho de vida fala mais alto. "Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, de receber saudações nas praças e de ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses receberão condenação mais severa!" Marcos 12:38-40. Um líder entorpecido pela religião perde a conexão entre a pureza do coração e as obras externas de devoção. Torna-se um legalista. T.S. Eliot chama isso de "o maior pecado de todos: fazer a coisa certa pelo motivo errado". 

 

O verdadeiro seguidor de Jesus também não tem medo ou vergonha de ser quem ele é, um maltrapilho. Ele não esconde seus pecados. É interessante notar que os evangelistas Marcos, Lucas e João, chamam o autor do primeiro Evangelho de 'Levi' ou 'Mateus'. Mas em seu próprio Evangelho, ele sempre refere-se a si mesmo como "Mateus, o publicano", sem querer jamais esquecer quem foi e sempre tentando lembrar quão baixo Jesus desceu para resgatá-lo. Somos todos publicanos alcançados pela graça de Deus, assim como Mateus. Mas o religioso tomado pelo espírito de Caifás não aceita isto. Ele prefere viver sozinho com seus pecados e construir um falso 'eu', e vive tão aprofundado na própria mentira, que ele mesmo acretida que o falso 'eu' é o 'eu' verdadeiro. Dessa forma, nunca consegue exercitar a verdadeira comunhão, porque embora experimente a comunhão uns com os outros como religioso, não experimenta a comunhão sincera como pecador. O religioso esconde seu pecado de si mesmos e da comunidade, e a igreja se transforma num clube para santos, onde participam apenas aqueles que se adequam aos moldes da denominação. Vivem uma vida de comunhão de faz de conta. Mentira em cima de mentira com uma leve cobertura de religiosidade para disfarçar.
 

Os valores do mundo entraram nas igrejas tradicionais quando iniciou-se a segregação entre as pessoas: rico e pobre, branco e negro, culto e inculto, leigo e habilitado, espiritual e não espiritual. As famosas disputas santas. Um cristão nunca deveria enxergar-se como um sujeito que tem mais ou sabe mais, mas sim que foi chamado para um outro tipo de serviço. Humildade é uma das características principais de uma liderança cristã. "Eu não sou mais meu, eu não tenho mais nada e esses homens e mulheres são meus irmãos. Tudo o que eu tenho vem de Deus, por isso eu reparto. Meus dons e meus bens servem apenas para servir". Não podemos esquecer também do "clubismo" que assola a grande maioria das instituições, onde os eventos e programações são direcionadas apenas (ou especialmente) para os membros da igreja. E isso é impregnado de tal forma na mente dos fiéis, que eles realmente acreditam que estão vivendo o verdadeiro Evangelho. Mas quando conhecemos de fato o que Cristo viveu e pregou, fica fácil perceber que o caminho não é este. Um pastor que proíbe pessoas de outras denominações a participar das programações de sua igreja ou se recusa a orar por uma pessoa angustiada só porque ela frequenta outra comunidade, não está vivendo a verdadeira Igreja. Na verdade, um homem como este não é um pastor de vidas, mas um administrador de clubes. Jesus nos ensinou a 'ir' e não a ficar. Ele nos ensinou a dedicar tempo aos 'doentes', pois os sãos não precisam de médico.
 

A verdade nua e crua é que a maioria das instituições anda investindo tempo demais em eventos e programações internas, pois não querem correr o risco de ver seus peixes pulando para outro aquário. E pior do que isso, se alegram quando um membro de outra denominação passa a fazer parte da sua comunidade, como se naquele dia os céus estivessem em festa! Queridos, esta visão é turva e completamente distorcida! Uma liderança que tem o foco no Evangelho, prepara seus membros para sairem em busca dos excluídos e dos que ainda não foram alcançados pela graça, e não faz isso com a pretensão de acrescentar nomes ao rol de membros, mas sim no livro da Vida! Ela não está nem um pouco preocupada se aquele 'novo convertido' vai passar a fazer parte da sua igreja, porque tem a plena convicção que ele já é parte do Corpo Vivo, da Igreja de Cristo! O convite de Jesus é: Ide e fazei discípulos de CRISTO, não de Batistas, Metodistas, Assembleianos, Presbiterianos... Fazer um discípulo é trabalhar para que Cristo resplandeça no caráter daquela pessoa, e não fazer com que ela entre nos moldes da sua denominação. A partir do momento que uma pessoa entende o plano da salvação através do sacrifício de Cristo, ela precisa ser estimulada a caminhar com as próprias pernas, não pode viver eternamente mamando na "teta" da igreja. Ela precisa desenvolver seus dons, amadurecer e viver o "Ide" de Jesus por onde passar. E ao contrário do que dizem, isso não é privilégio de bispos, pastores ou presbíteros, mas de TODOS aqueles que creram!
 

E o que fazer quando identificamos problemas como estes dentro de nossas igrejas? Seguindo o conselho que Paulo dá a Timóteo, "não aceite acusação contra um presbítero, se não for apoiada por duas ou três testemunhas." 1 Timóteo 5:19. Quando o erro vem apenas de um dos líderes e o conselho da igreja também enxerga este erro, fica mais fácil resolver o problema e voltar ao foco. Agora, se mesmo com testemunhas e provas, a liderança local ou a cúpula da instituição persiste no erro,  aí o negócio fica feio, pois é preciso ter estômago para se submeter a uma liderança entorpecida pelo espírito de Caifás. Em casos como este, o persistir é uma decisão bastante séria e particular, que deve em primeiro lugar ser resolvida entre você e Deus. E essa decisão não é fácil, pois te faz perder amigos e fazer inimigos, inclusive dentro da própria família. Uma triste realidade. Mas como disse Susan Yates: "Caráter sem coragem não é nada. A coragem é o que nos permite agir segundo nossas convicções". Se permanecer dentro da instituição tem trazido dor e angústia à sua alma, gostaria de te confortar dizendo: Jesus nunca te pediu este sacrifício! A exortação que encontramos em Hebreus 10:25 é "não deixem de congregar", ou seja, caminhem ao lado de pessoas que compartilham dessa mesma fé, e isso pode acontecer na sua casa, numa praça, num restaurante e até mesmo dentro de uma igreja. Mas como bem sabemos, este versículo é interpretado de outra forma pelos discípulos de Caifás: "Faltar aos cultos de domingo é pecado!" Por isso meu irmão, agora que você sabe da verdade, tire esse peso das suas costas. Paulo também aconselha: "Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer." 1 Cor 5:11 "Recomendo-lhes, irmãos, que tomem cuidado com aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido. Afastem-se deles. Pois essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas a seus próprios apetites. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam os corações dos ingênuos." Romanos 16:17-18
 

Muitos acreditam que contrariar uma autoridade é sinônimo de rebeldia, mas quando essa autoridade sai da vontade de Deus e toma atitudes contrárias à Palavra, nosso DEVER de cristão é ir contra e denunciar essa autoridade. Os que compactuam com essas atitudes ou permanecem indiferentes por comodidade, provavelmente não ouviram o conselho de Paulo em I Tim 5:22 "...não participe dos pecados dos outros". Denunciar a iniquidade não significa ódio e rancor. Jesus colocou o dedo na cara dos hipócritas que encontrou e fez tudo isto sempre em amor e por amor a eles.  Jesus odiava a Herodes por que o chamou de “raposa”? Jesus odiava os fariseus por que os apelidou de “sepulcros caiados”, “sepulturas invisíveis”, “comedores de camelos e catadores de mosquitos”, “copos lavados por fora e sujos por dentro”? Não, Jesus amava quando assim fazia! Sim, Ele amava com amor de verdade, não com a fantasia do amor. A fantasia do amor de faz acreditar que tudo pode ser relevado pelo bem da igreja. Uma grande cilada! Paulo denunciou algumas pessoas pelo nome, não por causa delas, mas em razão do que elas representavam como ensino do mal ao povo. Com certeza Paulo não odiava Hemineu ou Fileto, aos quais ele acusa de corromperem a fé como um câncer em estado de metástase — mas sim o fato de que o ensino deles era anti-evangelho, e, sendo eles os “apóstolos” daquela perversão do Evangelho, ele, Paulo, por amor ao Evangelho e por amor aos que estavam sendo corrompidos, os denuncia. Embora todos nós saibamos que se Hemineu e Fileto se convertessem com sinceridade, em Paulo encontrariam grande refugio de amor fraterno. Entretanto, enquanto pessoas forem os ícones de tais perversões entre nós, o nome delas deve ser denunciado sim, até que se convertam e até que sejam curados, caso algum dia necessitem e desejem!
 

"Mas como podemos desobedecer a autoridades constituídas por Deus? Isso não contraria o ensino das Escrituras em Romanos 13?" A resposta pode ser encontrada no episódio em que as autoridades judaicas proíbem os apóstolos Pedro e João de proclamarem o Evangelho e ensinarem em nome de Jesus (Atos 4:18). Observe a resposta que eles deram: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, obedecer antes a vós do que a Deus?” (Atos 4:19). Devemos obedecer às autoridades, desde que suas ordens e leis não conflitem com a vontade de Deus revelada nas Escrituras. Não confundam submissão com subserviência! É dever cristão insurgir-se contra qualquer autoridade que não esteja cumprindo seu dever de promover o bem e punir a injustiça, atribuições que lhe são requeridas na mesma passagem em que somos ordenados a submeter-nos a elas (Romanos 13). Temos o dever de rebelar-nos contra leis injustas, que favorecem a uns à custas de outros.
 

"Mas Dani, como uma instituição (ou pessoa) que prega a Cristo pode ser capaz de praticar tais atos?" Uma árvore se reconhece pelos frutos. Veja o que Jesus disse: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." Mateus 7:15-23. Pregar a Cristo não significa estar cheio de Cristo. Esteja atento!
 

E pra terminar, deixo com vocês um resumo dos "10 pecados da instituição" que ouvi do Ed René. Sugiro que faça uma cópia e deixe afixado lá no mural da sua igreja! ;)
 

1 - Não enclausure Deus nas paredes da sua instituição. "Nós os Batistas, nós os Metodistas, nós os Presbiterianos é que estamos certos!" E isso gera a famosa "síndrome do vazio". Por exemplo, um batista conhece uma cidade pequena ou um bairro que possui uma Assembleia, uma Presbiteriana e uma Metodista, aí ele sente um "vazio Batista" e decide fundar uma igreja Batista, ao invés de ajudar e se unir às comunidades já existentes. "Ah, mas o culto só é legítimo se obedece a minha liturgia, se a teologia é de acordo com a minha declaração doutrinária..." Queridos, 'prestenção': Isso foge à lógica do Reino de Deus! Não tem fundamento bíblico algum!
 

2 - Não limite as manifestação do Reino de Deus aos horizontes da sua instituição, pois ele é muito maior que elas. Os pastores costumam fazer uma pressão santa em seus membros: "Ah, você precisa começar a abrir mão de algumas coisas e se dedicar mais à igreja! Precisamos de pessoas com tempo para liderar células, para cantar no coro, para organizar o retiro de casais... Precisamos de pessoas que trabalhem pra Deus!" Meu irmão, a enfermeira que cuida do doente, a mãe que educa seus filhos e o pedreiro que constrói uma casa, também estão trabalhando para o Reino quando levam o amor de Cristo através de suas palavras e ações. O Reino de Deus é infinitamente maior que a sua instituição.
 

3 - Não condicione a relação com Deus com a relação institucional. "Ah! Se alguém não é Prebisteriano ainda não é irmão, não é convertido. Ele ainda não foi batizado nos moldes da minha religião, não fez classe de novos membros, profissão de fé..." Querido, acredite ou não, Deus tem muitos a quem a igreja não tem e a igreja tem muitos a quem Deus não tem. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
 

4 - Não exija do povo de Deus sacrifícios em nome da instituição. "Vamos reformar o templo. Precisamos nos sacrificar por Jesus!" O cara fala isso e ainda tem coragem de usar o texto de Neemias reconstruindo os muros de Jerusalém para justificar. Meu irmão, não faça isso. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O templo é uma coisa e Jesus é outra bem diferente.
 

5 - Não restrinja a atuação ou vocação ministerial à sua instituição. Os dons e ministérios foram distribuidos para a edificação do corpo, e como falamos, o Reino não se restringe à sua comunidade. Se um líder religioso não permite que os membros da sua igreja contribuam financeiramente ou através dos seus dons e serviços em outras denominações ou organizações (cristãs ou não), é porque está com seu horizonte institucional restrito (pra não dizer totalmente bloqueado). Pense nisso: Por que sua igreja precisa fundar uma creche se no bairro já existe uma outra precisando de ajuda? A lógica do Reino nos levaria a colaborar com os serviços da creche já existente, sendo ela da mesma denominação ou não.
 

6 - Não confunda instituição com corpo vivo de Cristo. Não confunda o livro de rol de membros da sua igreja com o livro da Vida. Não confunda instituição religiosa com comunidade cristã. Uma coisa é bem diferente da outra. A comunidade tem a Bíblia Sagrada como referência, a instituição tem o estatuto, o regimento, os cânones; A comunidade é teocentrica, a instituição é democrática; No Corpo Vivo as decisões são tomadas em oração, esperando sempre a direção de Deus. Numa instituição as decisões são tomadas através de assembleias e votos;  O Corpo Vivo não encontra barreiras, a instituição encontra, e muitas!
 

7 - Não pretenda gerir o corpo vivo de Cristo com a lógica da gestão institucional. "Pastor, eu tenho que dar o dízimo de 10% na igreja local? E se eu atrasar, preciso atualizar no próximo mês?" Não, não e não! A reposta de um pastor focado no Evangelho seria: "Primeiro, não precisa ser 10%. Segundo, não precisa ser aqui na comunidade local, pode ser aonde seu coração mandar, e terceiro, você não precisa atualizar os atrasados porque não estamos tratando da mensalidade de um clube, ok? Deus não quer seus 10%, o que Ele realmente deseja é um coração generoso. E quando você tiver um coração generoso, vai doar bem mais do que 10%." Mas e o sustento da igreja local, como fica? A resposta é simples: Deus não é homem, e a lógica do Reino é bem diferente da lógica humana.
 

8 - Não priorize as relações funcionais em detrimento das relações 
pessoais. Um pastor não pode nunca tratar suas ovelhas como mão de obra para o crescimento do seu ministério. Elas devem ser tratadas como irmãos e não como funcionários.
 

9 - Não pretenta perenizar a sua instituição. As instituições tem ciclos vitais, não são eternas. E não tem problema nenhum se ela morrer, fechar ou se revitalizar... Como o foco é a Igreja de Cristo, podemos ficar tranquilos, pois mesmo que a instituição acabe, a Igreja continua viva!
 

10 - Jamais coloque o corpo vivo de Cristo a serviço da instituição. A instituição é que deve estar a serviço do Corpo de Cristo. O pensamento da comunidade deve ser: "O que Deus está nos chamando pra fazer neste bairro, nesta cidade? Como a instituição pode nos auxiliar neste serviço de proclamação do Reino?" Percebe a diferença? Se ela não está ajudando, é porque chegou a hora de acabar com tudo, repensar e começar do zero!
 

A graça não pode ser confinada ou escravizada pela religião. Deus é muito maior que tudo isso e o Espírito Santo é um vento que sopra pra onde quer. Que o Senhor desperte os adormecidos, e que os despertos, despertem outros. Essa é minha oração.



Dani Marques
 

 *Diversos trechos desse artigo foram retirados de vídeos ou textos de Ed René, Ariovaldo Ramos. Caio Fábio e Brannan Mannig.










quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE: QUANTO CUSTA A SUA FÉ?

Jesus pregou e viveu o amor, mansidão e domínio próprio, mas havia algo que o tirava do sério: fazer comércio com as coisas de Deus! Veja: "No pátio do templo viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. Aos que vendiam pombas disse: "Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" João 2:14-16

Durante as minhas férias estava lendo, por curiosidade, um jornalzinho dessas igrejas defensoras da teologia da prosperidade. Uma daquelas que pagam milhões por um espaço no horário nobre do canal aberto, sabe? Cheguei a ler uns cinco depoimentos dos fieis, foi o que consegui. Não suportei continuar. Senti ansia de vômito e a sensação que meus órgãos estavam derretendo. Os testemunhos eram bem parecidos com: "Depois que passei a frequentar assiduamente os cultos da igreja "x", minha vida mudou! Hoje tenho minha casa própria!", "Comecei a pagar o carnê mensamente e o Senhor me abençoou. Consegui comprar um carro 0Km!" ou "Participei da campanha do lenço ungido, dei tantas voltas na fogueira Santa e minha vida se transformou. Hoje tenho um emprego e meu marido foi promovido na empresa!". Fiquei me perguntando: "Meu Deus, que Bíblia é essa que essa gente lê (se é que lêem)? Ou melhor, que Jesus é esse que eles pregam?" Ok, se alguém se agrada desse tipo de doutrina, eu respeito. Mas colocar o nome de Jesus no meio, aí não dá! Por que não dizer que estão falando em nome de qualquer outro Deus? Sei lá, o deus Mamom, por exemplo? O Deus que eu conheço, aquele revelado em Jesus, faria um chicote de cordas e sairia chicoteando esse bando de safados disfarçados de pastores, missionários e apóstolos. Gostaria de dizer à você, que frequenta uma dessas igrejas da teologia "toma lá, dá cá", é hora de acordar pra vida meu filho! Tu tá sendo enganado rapaz!!!

O evangelho não está sendo proclamado, compreendido e vivido por essas igrejas. Vocês estão vivendo na casa do temor e não do amor, como diria o bom e velho Brennan Manning. Embora a Bíblia seja claríssima quando diz que foi de Deus a iniciativa da obra da salvação, o que está sendo pregado por esses bandidos é que nossa espiritualidade deve começar no EU, e não em Deus. É o famoso "Deus ama os bons meninos". A grande ênfase é no que 'eu estou fazendo' em vez de no que 'Deus está fazendo', aliás, no que ele já fez! O pior, é que mais cedo ou mais tarde esse povo todo que está sendo enganado será confrontado com a dolorosa verdade da sua insuficiência. Aí vem a decepção, e é neste momento que muitos abandonam a fé. Queridos, somos incapazes de acrescentar uma polegada sequer na nossa espiritualidade através do bom comportamento. A nossa luta pelos méritos de estrelas douradas, a nossa afobação por consertar a nós mesmos, é uma negação aberta ao evangelho da graça!

Fico me perguntando: que Boa Nova é essa que vocês vivem? Se Deus é um juiz que retribui os bons e pune os desobedientes, isso não é Boa Nova coisíssima nenhuma, é uma Péssima Antiga! Será que a morte na Cruz veio nos revelar essa terrível mensagem? De que Deus ama os bons meninos e pune os maus? A justiça de Deus, que tanto se fala dentros das igrejas, é que Ele nos tornou justos através do perdão de cada um dos nossos pecados, a famosa justificação pela graça mediante a fé! Não é por qualquer mérito ou atitude nossa que tivemos nosso relacionamento restaurado com Deus, mas unicamente pelo seu grande amor e bondade. A decisão foi Dele! Essa é a Boa Nova! Mas isso é incrível e bom de mais para aceitar não é mesmo? É mais fácil pagar o carne do Gideão (concorrendo a prêmio pela loteria Federal), vender o carro e entregar o dinheiro na igreja, virar patrocinador com direito a brinde mensal, deixar a bolsa no altar, frequentar todas as campanhas de prosperidade, comprar o vaso de alabastro por R$ 200,00, dar sete voltas na Fogueira Santa de Israel... Em outras palavras, é mais fácil se sacrificar e negar o sacrifício que já foi feito na Cruz, não é mesmo?

Pensamos que Deus abençoa somente se formos fieis no que a igreja impõe, mas Jesus nunca afirmou que o Reino dos Céus é uma subdivisão para os certinhos, frequentadores de igreja e pagadores do dízimo e carnês. A igreja verdadeira não é um museu para santos, mas um hospital para doentes! A Boa Nova significa que podemos parar de mentir para nós mesmos. É ela que nos salva da necessidade do auto-engano, de que eu preciso fazer algo para receber o amor de Deus ou ser abençoado. Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus, já diria Thomas Merton. A salvação nos foi dada gratuitamente, de presente! Não é recompensa da nossa fidelidade. E os televangelistas, superastros carismáticos e líderes religiosos das igrejas do 'toma lá, da cá' não querem que você saiba disso, pois a Boa Nova de Cristo desfaz a dependência na igreja e a coloca em Jesus, e com isso, eles perdem. Perdem fama, poder e dinheiro.

A mensagem de Jesus grita que somos todos mendigos igualmente privilegiados. Não há coisa alguma que qualquer um de nós pode fazer para herdar o Reino, apenas é fé pura de uma criancinha. "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus" Efésios 2:8. "Vocês, que procuram ser justificados pela lei, separaram-se de Cristo; caíram da graça" Gálatas 5:4. Meus amigos, se isso não lhes parece Boa Nova, então nunca experimentaram o evangelho da graça. Você já é aceito, simplesmente aceite este fato. O verdadeiro cristão rejeita por completo a ideia de que Deus pega as pessoas de surpresa ao menor sinal de fraqueza ou falha no dízimo. Quando enxergamos Deus dessa forma distorcida, sentímo-nos impelidos a nos envolver em alguma espécie de trabalho para aplacá-lo. E quando pessoas esmagadas por esse conceito falham - o que inevitavelmente acontece - no geral ficam a espera de uma punição. Por isso perseveram em práticas religiosas ao mesmo tempo em que lutam para manter uma imagem oca de um eu perfeito.

Em essência, há uma única coisa que Deus pede de nós: aceite o que eu já fiz por você! Temos paz quando o Deus da graça é tudo o que buscamos. Se o foco muda, nos perdemos. Todo o restante, mais conhecido como boas obras, virá como consequência da fé genuína. O Reino de Deus pertence a pessoas que não estão fazendo gênero ou tentando impressionar, esperando estrelas na testa pelo seu bom comportamento. "Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele" Marcos 10:15. A criança é símbolo dos excluídos da época, dos marginalizados, daqueles que nem ao menos eram contados, e que com frequência eram chamados por Jesus de "últimos" ou "pequeninos". O reino de Deus é daqueles que nunca fizeram nada para merecê-lo, apenas aceitaram-no através fé pura, como um presente! A graça de Deus recai sobre essas pessoas porque são criaturas insignificantes, não por causa de suas qualidades. "Vim chamar os pecadores, não justos!"

A salvação que Jesus trouxe não pode ser conquistada com esforço. Não existe a possibilidade de barganha com Deus: "Eu fiz isso e agora você me faz aquilo". Jesus destroi por completo a noção de que nossas obras merecem qualquer pagamento em troca. Os cristãos estão tentando consquistar o favor de Deus mergulhando no maior número de atividades espirituais, multiplicando altares e sacrifícios. Sem contar os milhares de "ungidos" insensatos que cometem a loucura de determinar que Deus faça alguma coisa e ainda esperar que ele obedeça. Isso é o cúmulo da ignorância! Deus não é uma marionete movida à jejuns, campanhas, dízimos e ofertas. Acordem!

Talvez a grande dicotomia dentro da comunidade cristã da atualidade não seja entre conservadores e liberais, entre criacionistas ou evolucionistas, mas entre os despertos e os adormecidos. O cristão desperto sabe que é maltrapilho e que não há nada que possa fazer para alcançar o amor de Deus, pois a decisão de amar já foi tomada por Deus. "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados." 1 João 4:10. Se você aprendeu a pensar no Pai como juiz, disciplinador, espião ou como aquele que castiga, conheceu o Deus errado. "No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor." Deus não é nosso inimigo, não está decidido a nos testar, tentar ou provocar. Ele não dá preferência e não promove o sofrimento ou a dor. Não!

O evangelho declara muito claramente que não importa quão dedicados e devotos sejamos, não somos capazes de salvar a nós mesmos. O que Jesus fez foi suficiente. Você só precisa crer. A medida que nos mantemos santos pelos nossos próprios esforços, deixamos que prostitutas e ladrões entrem primeiro no reino, porque eles já sabem que não podem salvar a si mesmos. Quando reconhecemos que somos todos miseráveis à porta da misericórdia de Deus, aí então Ele pode fazer  algo belo de nós. Como é dificíl ser honesto e renunciar à pretensão de que minhas orações, meu discernimento espiritual, meus dízimos e ofertas, meu sucesso ministerial fizeram-me alcançar o favor de Deus. Isso é balela! Sou amável simplesmente porque Deus me ama, simples assim. O amor humano será sempre uma sombra débil do amor de Deus. A lógica humana está baseada na experiência humana, e Deus não se encaixa nesse modelo. Ele olha nos nossos olhos e diz: "Eu não quero seu dinheiro e tampouco suas boas obras. Eu quero seu coração!"

A confiança que depende da resposta que obtém de Deus não é de fato confiança. As igrejas da teologia da prosperidade ensinam seus disípulos que é necessários provas e respostas para saber se o "aluno de Deus" está se saindo bem. E quando essas repostas não chegam, o discípulo fica frustrado e começa a desconfiar que seu relacionamento com Jesus esfriou ou nunca existiu. Mas eu quero dizer pra você hoje: "Mais bem-aventurados os que não viram e creram!" Jo 20:29. Oro a Deus para que ao ler essa mensagem, escamas caiam dos seus olhos e seu entendimento seja aberto. Ajude a divulgar esse texto para o máximo de pessoas que puder. Se for possível, imprima cópias e distribua ao final dos cultos dessas igrejas do deus Mamom. Se ao menos uma pessoa entender a graça, terá valido a pena!

Dani Marques

Texto baseado no livro "O Evangelho Maltrapilho - de Brennan Menning". Muitos trechos desse artigo foram retirados deste livro.

terça-feira, 18 de junho de 2013

VOCÊ REALMENTE TEM FÉ? SERÁ?


Muitos afirmam crer em Deus, mas pouquíssimos realmente possuem fé. Crer num Deus onipotente, onipresente e onisciente é fácil. Difícil mesmo é colocar esse "crer" em ação. Isso sim é ter fé!

A palavra fé, vem do original grego pistis, e uma de suas aplicações é "estar em harmonia ou sintonia com Deus". Ter fé não é esperar que Ele trabalhe por mim porque tenho fé suficiente, mas sim possuir intimidade tal que me faça trabalhar por Ele, pelo seu reino e sua justiça. Muitos "pastores" tem induzido milhares de ovelhinhas a exercitarem a sua "fé" pulando do pináculo do templo, mas o verdadeiro pastor nos orienta a descermos pelas escadas e a não colocarmos Deus à prova. Não tenho fé suficiente pra andar sobre as águas, porque creio que isso é sinal do Messias, mas, pelo seu reino e a sua justiça, nadar eu posso. Sim, nisso eu boto fé! Porque tudo posso NAQUELE que me fortalece!


Estando em real harmonia com Deus, a vontade Dele passa a ser a minha vontade, e então, versículos como o de Mateus 17:20 começam a fazer mais sentido: "... porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível." E o que é ter fé como um grão de mostarda? É mesmo diante de sua pequenez, ter a convicção de que seu relacionamento com Deus, se bem "alimentado", pode se desenvolver e se transformar numa grande árvore! E quando a intimidade chega neste ponto, somos capazes de discernir se realmente é a vontade de Deus que uma montanha mude de lugar.

Mas como estar em sintonia com alguém que mal conhecemos? Você realmente conhece a Deus? Pode afirmar isso? Se a sua resposta for negativa ou parecida com: "não estou muito certo...", é porque a fé ainda não é real em sua vida. É impossível conhecer alguém sem conviver, sem caminhar junto. Só conquistamos intimidade com uma pessoa quando convivemos e somos transparentes em nosso relacionamento. É estar em total sintonia, sem nenhuma interferência na amizade. 


Mas e na prática? Como exercer harmonia, sintonia e intimidade com um ser tão superior? Parece algo tão distante, não é mesmo? Muitos buscam conhecer a Deus e exercer intimidade através de cânticos, encontros, rituais ou práticas religiosas. Chegam inclusive a clamar de todo o coração: "Pai, queremos ver tua face! Quero te ver Senhor! Quero te conhecer, ouvir a tua voz!" Interessante que Filipe, um dos discípulos, também demonstrou esse interesse: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta". E a resposta de Jesus, como sempre, foi simples, direta e reta:

"Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Pelo contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras... Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto". João 14:6-11


Querido(a), quer mesmo conhecer a Deus? Ter intimidade com Ele?
"Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai" O primeiro passo é conhecer Jesus. Como? Através da leitura dos Evangelhos, que são os registros de sua trajetória aqui na terra, desde o seu nascimento até a sua morte. Leia os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João de trás pra frente, de frente pra trás, de baixo pra cima e de cima pra baixo. Depois vire do avesso e leia de novo. Em seguida, leia as cartas que seguem para absorver a aplicação dos ensinamentos de Cristo através da vida dos apóstolos.

Mas é importante lembrar que a sintonia não acontece quando apenas um dos lados é conhecido. Deus deseja te escutar também! Fale de seus medos, preocupações, angústias, anseios, alegrias, gratidões... É necessário que o canal de comunicação entre vocês esteja sempre aberto. E este deve ser um exercício diário para aquele que diz acreditar em Deus. Para alguns, esse processo pode parecer estranho no início, mas com o passar do tempo acaba se torna natural e prazeroso, como qualquer outra relação de amizade, que vai se estreitando com o passar dos anos.


"Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam". Hb 11:6. Este versículo nos deixa duas lições preciosas. A fé exige de nós duas ações: CRER e BUSCAR. Uma não faz sentido sem a outra. Se você afirma crer em Deus, mas não busca conhecê-Lo, sua fé não existe, é morta. Como disse um grande amigo: Fé, é o crer em ação! 

Mas e o versículo de Hebreus 11:1, como fica? "A fé também é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos". Vamos trocar a palavra fé por harmonia ou sintonia? "A harmonia/sintonia com Deus é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos".  Ao buscar intimidade com Deus através da sua palavra, estudando e praticando os ensinamentos de Jesus e orando em todo o tempo, estamos colocando em prática a certeza daquilo que esperamos e concretizando as coisas que não vemos. Pronto, simples assim!

Então merrrmão, se depois de descobrir tudo isso você ainda não estiver disposto e aberto a praticar a fé, é melhor ser sincero consigo mesmo e com Deus. Não seja hipócrita! Quando te perguntarem, fale a verdade: "Eu creio que Deus existe, mas ainda não tenho fé." E depois, bora buscar e exercitar a harmonia e sintonia com Ele, pois como diz o versículo: Sem fé é impossível agradar a Deus."


Em amor, Dani.



Esse texto foi inspirado numa mensagem preciosa que escutei de um grande amigo, o Gerson.



Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.
Hebreus 11:1

quarta-feira, 12 de junho de 2013

VOCAÇÃO OU ENGANAÇÃO?



Meu Deus! Como as pessoas estão perdidas no que diz respeito a "ser igreja"! Cristãos que não têm noção alguma do que é ter um dom, vocação, ministério ou 'fazer a obra'. Muitos são inocentes, eu sei, por isso não os culpo. São apenas vítimas do sistema religioso e dos mercadores da fé. Novos ou antigos convertidos que receberam uma chuva de orientações anti-bíblicas mascaradas de bíblicas. São verdadeiras ovelhas sem pastor, que rumam em direção ao precipício. Meu coração se entristece profundamente por essas vidas. Não só pelo ensinamento distorcido que receberam, mas também pela mente que foi sendo aos poucos cauterizada, a ponto de não entenderem a simplicidade do evangelho. Como disse Jesus, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos (Lc 10.20). Quer dizer, até temos muita 'mão de obra", mas é mão-de-obra enganosa e auto-suficiente! E esse tipo de trabalhador Deus não quer nem pintado de ouro, cravado com diplomas e adornado de 'alabaxuriandares'!

Há um tempo atrás
recebi um e-mail de um casal. Duas ovelhas sem rumo. Em pouquíssimo tempo de convertidos foram 'ungidos' pastores e logo estavam liderando uma igreja sozinhos. Aliás, em três anos passaram por quatro igrejas. Decepção atrás de decepção. Um desastre total! O esposo desabafou:  

"Nós estamos sem ministério... Estamos muito mal, porque sabemos que fomos ungidos e temos compromisso com Deus. No entanto, eu quero saber se eu ficar em um banco de congregação, como membro apenas, Deus irá se agradar? Deus não irá me cobrar essa postura? Querida Dani, estamos tentando nos levantar. E quanto à nossa unção pastoral, sei que ninguém a reconhecerá. Se quisermos atuar como Pastores, creio que devemos montar nosso próprio ministério, o que eu não acho correto. Pior ainda é a gente congregar em uma Igreja sendo membros, o que não somos mais (não que ser Pastor seja maior, mais somos pastores, entendeu?). Minha esposa está mal Dani! Ela achou "refúgio" dentro de uma Assembléia de Deus Ministério do Belém, só que eles não reconhecem nosso ministério, desta forma, estou 'encostado' no último banco. Entraram dois presbíteros depois de mim, foram reconhecidos e ficam no altar, e eu, encostado no último banco. Mas Deus fará o que for melhor e da vontade Dele, creio nisso. Estamos com muita opressão do maligno, estamos orando, mais está difícil dessa tempestade passar. Mas eu creio em Nome de Jesus que tudo está nas mãos do Senhor..."

Ler este e-mail me doeu na alma! E na tentativa de ajudar, resolvi responder. E é com essa resposta que encerro o texto:

"Queridos, boa noite! Li todos o e-mail, duas vezes. Nossa, como viveram uma vida conturbada em tão pouco tempo de convertidos! Precisam agradecer a Deus por não terem perdido a fé por conta de todos esses acontecimentos. Olha só, tudo fica mais leve e simples quando entendemos o que é ser Igreja realmente. Igreja não é isso que vemos por aí. Não é religião, não é denominação, não é instituição, não é um clube, não é um prédio, não é uma reunião semanal ou um conjunto de programações. Ou seja, não é nada disso que vocês viram até hoje. A Igreja de Jesus Cristo está espalhada por toda terra! Somos nós, os que cremos na mensagem da cruz. Se estiverem dois ou três reunidos em nome de Jesus, ali Ele estará, e ali seremos Igreja (Mt 18.20). E isso pode acontecer numa padaria, em casa, na praça, no parque...  Jesus não nos mandou 'montar' igrejas, mas sim fazer discípulos! E isso é uma ordem para todos os que creram, e não somente para os que foram 'ungidos' pastores. Ser pastor é um dom como outro qualquer, que deve ser usado em benefício do reino, para a edificação do corpo.


Outra coisa, uma posição de liderança, seja ela qual for, deve ser antes de tudo reconhecida pela comunidade. Os próprios membros entendem que aquela pessoa possui um dom, sabedoria (de Deus) e experiência suficiente, e em oração reconhecem que ela está apta a exercer um cargo de liderança. Deve ser um processo muito natural. Por isso não me entra na cabeça o esquema de algumas instituições religiosas, que nomeiam teólogos recém-formados para comunidades que mal o conhecem. Isso é anti-bíblico e tem causado um estrago sem tamanho! Outra coisa, ninguém deveria se auto intitular líder de uma comunidade. Comecem apenas como irmãos, sem almejar cargo de liderança. E se um dia as coisas caminharem pra isso, que aconteça naturalmente, dentro da vontade de Deus.

O evangelho é muito simples, mas a "igreja" teima em colocar em cima dos fiéis uma carga que eles jamais deveriam carregar. Muita mentira, muita distorção da Palavra, muita soberba, manipulação e desejo pelo poder. Tudo isso está bem longe do que Jesus nos ensinou. O que fizeram com vocês foi apresentar um evangelho mentiroso, e pior, os jogaram dentro desse evangelho e pediram que caminhassem sozinhos. Mas enfim, esse tempo que estão vivendo é um tempo de deserto, de vale da sombra da morte. Mas Deus prometeu que estaria ao nosso lado nesses momentos. Como disse Paulo, a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu (Rm 5:3-5).

A única obrigação de vocês agora é a de usar o dom que receberam para cumprir os dois maiores mandamentos que Jesus nos deixou: ‘Amar o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Amar o seu próximo como a si mesmo’". (Lc 10.27). Através desses dois mandamento cumprimos TODA A LEI, conforme Romanos 13.10. E anunciem as Boas Novas de Cristo Jesus por onde passarem, principalmente através do testemunho de vida. Pronto, simples assim! Sem títulos, sem cargos, sem rituais... Iniciem um estudo Bíblico em casa mesmo, com crianças, adolescentes ou adultos. Tudo muito simples, sem rituais ou doutrinas. E nunca pense em transformar isso em "igreja", porque vocês já são Igreja, entende? Façam tudo em amor, para a edificação das vidas. Alimentem-se da Palavra, em especial dos Evangelhos. Orem diariamente pedindo sabedoria e direção do Espírito.

Conforme Efésios 4, entendo que o chamado pastoral é um dom dado por Deus. Se Ele realmente deu esse dom à vocês, poderão exercê-lo independente de ministério, diploma, cargo, instituição e etc. Quem reconhece esse dom são as ovelhas que vocês pastoreiam. Eles é quem devem dizer: 'Esse homem é realmente meu pastor. Ele cuida de mim, caminha comigo, me aconselha, direciona, orienta, alimenta...' E isso pode acontecer em qualquer lugar e com qualquer pessoa: vizinhos, familiares ou amigos. Você não precisa de uma igreja nos moldes que conhecemos para pastorear vidas. 


Se o desejo de vocês é frequentar uma congregação, ou seja, uma igreja num formato mais tradicional, terão que começar como membros sim, lavando os pés e servindo aos irmãos. E não se preocupem! Se vocês realmente possuem o chamado pastoral, as pessoas vão percebendo aos poucos. Pastor não é aquele que prega todos os domingos, lidera uma igreja ou está numa posição de destaque. Ele pode até fazer isso, mas sua função principal é a de cuidar e direcionar as ovelhas, estando elas fora ou dentro de uma igreja, entende? Além disso, pastor, apóstolo, mestre ou evangelista são dons dados por Deus para a edificação do corpo, assim como o dom da profecia, da fé, do ensino, da exortação, do repartir, do cuidar, do exercer misericórdia e etc. Cada um de nós é uma parte do corpo, e ninguém é maior ou melhor que ninguém. E o único cabeça desse corpo é Cristo, conforme Romanos 12.

Outra coisa, imposição de mãos, revelação ou profecia não significa que vocês realmente receberam um dom. Isso não é regra. Quando alguém recebe de Deus o dom de mestre, pastor, apóstolo ou evangelista, por exemplo, ele deve ser reconhecido pelo 'corpo' no decorrer da caminhada, como eu disse anteriormente. Um curso também não tem o poder de dar um dom, muito menos um diploma, cerimônia ou faculdade. O único detentor deste poder é Deus! O restante serve apenas como instrumento para aperfeiçoar uma vocação que já existe (as vezes apenas para estragar). Quem não tem o dom de pastor, pode fazer a melhor faculdade de teologia da face da terra, receber uma credencial de teólogo, mas nunca será pastor. E importante: um pastor pode até ser excluído de uma denominação ou colocado no 'banco', mas ninguém tem a capacidade de extirpar o seu dom! O cuidado que ele tem com as ovelhas fluirá naturalmente, dentro e fora da 'igreja', pois não estamos falando de um cargo, mas sim de uma vocação.

 
Também defendo a ideia de que líderes religiosos não deveriam colocar o descritivo do seu dom na frente do nome: "Pastor Anderson", por exemplo. Como não se trata de um título, mas de um dom, não existe essa necessidade. Me corrijam se estiver errada, mas em nenhum momento das Escrituras vejo os discípulos escrevendo em suas cartas 'Apóstolo Paulo' ou 'Apóstolo Pedro', por exemplo." Muito pelo contrário! O que vejo é: 'Paulo, o apóstolo' ou 'Pedro, servo de Cristo'. Percebe a diferença? Pensa comigo, se seguirmos esta lógica, teríamos que sair por aí chamando os irmãos da igreja de: Profeta Maria, Misericordioso Paulo, Exortador Antônio, Cuidadora Menezes, Limpador Luiz, Cozinheira Paula... Por que só alguns dons tem o 'privilégio' de ter a identificação da sua vocação na frente do nome? Pior ainda são aqueles que se auto-intitulam 'apóstolos', 'paipóstolos', 'bispos', 'pastores', 'missionários'... Confesso que tenho vergonha de tudo isso. Mais do que vergonha, ânsia de vômito!

Queridos, falo tudo isso em amor, como forma de exortação, cuidado e zelo pelo Evangelho. Oro para que o Espírito Santo de Deus lhes abra o entendimento.

Em amor,

Dani"
Dani é a esposa do Felipe, autora do blog Salve Meu Casamento!

terça-feira, 28 de maio de 2013

LIVRE-SE DAS AMARRAS DA RELIGIÃO!

Vez ou outra sinto um desejo incontrolável de escrever. O tema surge como um estalo! Ao observar uma criança no parque, através da fala de um estranho no mercado, ouvindo uma mensagem na internet, uma notícia no jornal, durante uma oração ou leitura bíblica. Dessa vez foi diferente. Aconteceu durante a madrugada. Fui acordada de um sono profundo com a imagem de um pedaço de papel escrito: "Romanos 5". Acordei no susto! Fiquei pensando no que poderia ser, orei, pensei em levantar e ler, mas confesso que o sono e o frio me venceram. Logo pela manhã, uma das primeiras coisas que fiz foi ler o texto, e então, perdi mais uma vez o controle dos meus dedos.
Interessante que nesse mesmo dia, ouvi uma mensagem do pr. Ed René no Genizah com o título: "Se a igreja não pega na culpa ou no medo, pega na ganância", e logo mais a noite, ouvi um áudio do missionário Edson Teixeira que falava sobre a parábola do fariseu e do publicano (Lc 18). E com isso, meu consciente insistia: " 'Simbora minha fia!' É sobre esse tema mesmo que você vai escrever!" Então eu prossegui, mais convicta do que nunca. Continuei sensível a voz de Deus no decorrer da semana, inclusive através de algumas canções. Stenio Marcius e João Alexandre foram verdadeiros instrumentos.

Algo tem me incomodado de forma tremenda. Não consigo sufocar as palavras... Elas escapam pelos meus dedos e lábios. Esse texto é um grito por escrito. Mas sei que não serei a primeira e nem a última a tocar neste assunto. Graças ao primeiro grito dado por Jesus há mais de dois mil anos atrás, muitos puderam acordar do 'transe' e se ver livres das amarras impostas pela religião.

Há anos e anos, líderes religiosos de diferentes denominações insistem em pregar a arte da barganha com Deus: Se você se comportar direitinho vai receber a bênção; Se der o dízimo fielmente as janelas do céu vão se abrir e você vai prosperar; Se participar de todas as programações da igreja nenhuma maldição te alcançará; Se frequentar os cultos da manhã, da tarde e da noite, estará protegido das armadilhas de satanás! O foco é sempre no comportamento e não na fé. O Evangelho é utilizado para se pregar moralidade e não a salvação. As Boas Novas se tranformaram em "manual do bom comportamento para cristãos". Como bem disse o pr. Ed René no vídeo citado, se a igreja não pega na culpa ou no medo, acaba pegando na ganância.

E sem perceber, milhões de cristãos são orientados a ter um relacionamento para Deus e não com Deus. Quase consigo escutar os clamores: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. O mesmo clamor feito pelo fariseu em Lucas 18:11-12. Talvez as orações de hoje sejam um pouco diferentes: "Senhor, tenho ido a 'casa de Deus' semanalmente, entrego meu dízimo fielmente, jejuo, oro, participo de todas as campanhas e reuniões, nunca falto à Escola Dominical, faço tantos sacrifícios, não roubo, não mato, não bebo, não falo palavrão... Oh! Deus, tenho sido um bom cristão não é mesmo?" E o crente fica lá, a espera de um elogio ou recompensa vinda em forma de "milagre" ou "bênção".
Como se nós, reles mortais, tivéssemos algum tipo de poder sobre Deus. Chega a ser cômico! É como se Ele ficasse sentado em seu trono no céu pensando coisas do tipo: "Bom, mais quatro dias de jejum eu repondo aquela oração"; "Agora sim o louvor me agradou! Então vou me manifestar!"; "Sim, depois de caminhar 87 degraus de joelhos eu vou perdoar seus pecado!; "Ah não! Faltou R$ 2,37 no dízimo? Então esse mês vou soltar o devorador e ele não vai conseguir pagar as contas!"; "Eita oração forte! Quando vários irmãos gritam juntos sinto mais vontade de fazer um milagre!" Desculpem, mas chega a ser ridículo...

É por essas e outras, que me sinto na obrigação de dizer, ou melhor, gritar: Querido irmão, acorde! Não importa o que você faz ou deixa de fazer, se você é bom ou mal, se dá o dízimo ou não, se vai a igreja ou fica em casa, se obedece a todas as ordens do pastor ou é rebelde, se é um bom ministro de louvor ou canta desafinado, se usa terno, gravata e bíblia debaixo do braço ou regata e bermuda. Isso não importa! Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. O amor que Ele tem por você é incondicional, e não vai mudar nenhum milímetro por causa de um bom comportamento! A sua justificação NUNCA será por obras ou ou atitudes externas, mas UNICAMENTE pela FÉ em Cristo Jesus. Ainda duvida? Dá só uma olhada:

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o QUE NELE CRER não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16

"Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é PELA FÉ, como está escrito: "O justo viverá pela fé"
. Romanos 1:17

"Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus MEDIANTE A FÉ em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados GRATUITAMENTE por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação MEDIANTE A FÉ, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador DAQUELE QUE TEM FÉ EM JESUS." Romanos 3:21-26
"Respondeu Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto". Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta". Jesus respondeu: "Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Pelo contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras." Jo 14: 6 à 11
Pronto! Acabou! É isso! Fim! The End! Está consumado! Zefini! Game Over!

Um dia você recebeu a mensagem da Cruz, entendeu, creu, o Espírito Santo de Deus veio habitar em você, você se tornou filho de Deus, herdou a vida eterna e a partir desse momento recebeu uma nova vida! E nenhum pecado ou mal comportamento é capaz de mudar o amor que Deus tem por você: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?... Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 8:35-39

"Mas Dani, e se um cara creu em Jesus mas é um bêbado? Ele vai ser salvo ou não? E como fica o texto que diz: 'Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus'. 1 Cor 6:9 - 10?"

Ok! Existe uma diferença gritante entre pecar e ser escravo do pecado. A partir do momento que o Espírito Santo de Deus vem habitar em você, deve acontecer uma inversão de papeis: o pecado que antes te dominava passa a ser dominado por você. Ele ainda vai existir? Claro que sim! O testemunho do próprio Paulo não me deixa mentir:

"Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado." Romanos 7:21-25

"Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da lei. Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito." Gálatas 5:16-25

A grande diferença está aqui: "...os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus", ou seja, aqueles que vivem na prática do pecado é porque ainda não entenderam a mensagem da Cruz, talvez até tenham sido convencidos, mas não CRERAM realmente. O publicano da parábola de Lucas 18 era um cobrador de impostos mau visto, mas entendeu a mensagem da Cruz. Ele reconheceu que a única maneira de salvar o seu corpo da morte e do pecado era admitir a sua miséria e entregar-se a Deus, sem barganhas. Jesus conta que ele (o publicano) foi justificado diante de Deus por conta de sua sinceridade, mas o fariseu (religioso) não. Por que? Veja a diferença nas orações:

FARISEU (religioso da época): "Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho". Lucas 18:11-12

PUBLICANO (cobrador de impostos):"Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’. Lucas 18:13

Percebe a diferença?

Nós, como cristãos, precisamos reconhecer que somos todos iguais perante a Deus, todos miseráveis e pecadores, e que nenhuma boa ação ou bom comportamento é capaz de nos aproximar ou distanciar Dele. Deus só precisa de um coração sincero, quebrantado, arrependido, contrito, uma fé genuína e a certeza de que Nele somos TODOS pecadores salvos pela graça de Deus! Quando entendemos dessa forma, enxergar a trave no nosso olho fica muito mais fácil! E identificar os mercadores da fé também!

"Mas quer dizer então que eu não preciso mais dar o dízimo, ir a igreja, ajudar os pobres, orar e jejuar? Basta apenas ter fé?" Querido irmão, aquele que realmente entendeu a mensagem do Evangelho e sentiu-se alcançado pela maravilhosa graça de Deus, faz todas essas coisas (e muitas outras) naturalmente, nunca por medo de não ser salvo, culpa por algum pecado ou ganância, mas tão somente pelo amor: "Portanto, o amor é o cumprimento da lei". Romanos 13:10
Ah! E o que tem "Romanos 5" com toda essa história? Dá uma olhadinha lá que você vai entender! ;)
Dani Marques (esposa do Felipe) - autora do blog Salve meu Casamento!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

SANTA CEIA - A igreja está fazendo isso errado!






Há muito tempo (e bota tempo nisso!) que a Santa Ceia é vista pela igreja - católicos e protestantes - como um ritual, uma prática religiosa, mas gostaria de compartilhar com vocês algo precioso que aprendi a respeito deste assunto. O real significado da Ceia vai muito mais além do que um simples memorial! Mas antes de iniciar, gostaria de esclarecer a diferença entre Igreja e igreja, pois no decorrer do texto vou utilizar a letra maiúscula e minúscula para diferenciá-las. Quero deixar claro que estipulei esta diferença especificamente para este artigo. Não inventei uma nova regra, ok?

Bom, a igreja com "i" minúsculo, é aquela com o formato que conhecemos bem: instituições religiosas de diferentes denominações que, por conta de suas doutrinas, métodos e sistemas, acabaram dividindo os cristãos em diferentes grupos: "Eu sou batista, eu sou anglicano, eu sou católico, eu sou presbiteriano, eu sou metodista, eu sou Renascer até morrer, e por aí vai". Engraçado que isso me lembra um texto Bíblico interessante: "Com isso quero dizer que cada um de vocês afirma: "Eu sou de Paulo"; "eu de Apolo"; "eu de Pedro"; e "eu de Cristo". Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?" 1 Coríntios 1:12-13. Mas enfim, isso é assunto pra outro texto.
 
Existe também a Igreja com "i" maiúsculo, ou no original grego, ekklesia, que ocorre 115 vezes no Novo Testamento. Esta palavra é derivada da preposição ek, que indica "origem (o ponto de onde uma ação ou movimento procede)", e kaleo, que quer dizer “chamado, convocado”. Significa, portanto, “chamados para fora”, ou “separados”. Na sua forma original, a palavra Igreja simplesmente quer dizer “uma reunião de pessoas convocadas”, neste caso, convocadas por Cristo. Não importa a quantidade de pessoas, não importa o local onde reúnem-se, não importa o dia da semana; se há um grupo de pessoas reunidas com o mesmo propósito, ali há uma Igreja. E diga-se de passagem, a verdadeira Igreja, a Igreja de Cristo, apesar de todas as circunstâncias e de todas as bizarrices religiosas que encontramos por aí, ela está acontecendo, está viva e se movendo, nos quatro cantos deste planeta! Está sendo preparada e adornada para a volta de Cristo, e graças a Deus por isso!
 

Bom, esclarecido este ponto, podemos voltar ao assunto. A Ceia, assim como o batismo, é um sacramento. Ou seja, é algo que foi instituído por Cristo como prática na vida da Igreja. É uma prática em que o Espírito Santo de Deus, toma os elementos naturais (neste caso o pão e o vinho) e os transforma em ensinamento para os nossos corações. O momento do sacramento, associado a fé e prática, é uma forma de consolidar valores, conhecimento, discernimento e revelação. É momento de produzir testemunho de vida!

Conforme Tito 2:12, a graça de Deus nos ensina e nos educa a viver. Aquilo que a salvação produz em nós para o cotidiano, para os relacionamentos e desafios da vida, é um processo de educação. Só podemos experimentar a vontade de Deus em sua plenitude, se formos reeducados em nosso entendimento. Bom, na medida em que nosso entendimento vai sendo transformado pelas virtudes de Deus que se revelam em nós, nossa fé vai sendo aperfeiçoada, fundamentando uma nova maneira de viver. E o sacramento tem esse efeito pedagógico, no sentido de nos salvar para a vida, produzindo em nós entendimento, clareza e substância espiritual de conhecimento de Deus.


E não temos como tratar de um assunto tão profundo pensando na massa de um pão, concorda? Ao contrário do que muitos acreditam, Cristo não incorpora no pão no momento em que o colocamos na boca. Isso é invenção humana. Quando celebramos a Ceia, não comemos o corpo de Cristo literalmente. Jesus nunca disse isso! O ensinamento que este sacramento nos traz, não está relacionado aos elementos em si, mas sim à prática em torno deles.


Lá em 1 Coríntios 11, Paulo começa falando aos irmãos que o ajuntamento da Igreja e suas reuniões andam produzindo mais mal do que bem, e definitivamente isso continua acontecendo nos dias de hoje. A igreja anda ensinando equívocos ao invés de produzir revelação. Por quê? Porque a grande maioria das reuniões acontecem por causa de um interesse comum e não por causa de uma consciência comum. Ou seja, vamos à igreja por conta do nosso senso de oportunidade e de vantagem, para obter e alcançar um tipo de benefício (bênção, resposta de oração, etc.). Concluímos então que podemos ter um interesse comum, mas não um espírito comum. Como é isso? Quando não temos consciência um do outro. Por isso Paulo, quando fala aos Coríntios no contexto da Ceia, enfoca a questão da divisão no corpo.


Mas ele também diz que os conflitos são bons, pois as divergências existem para serem superadas. E a superação das divergências, revelam os escolhidos, ou seja, o grau de maturidade dos envolvidos. Mas este não seria o maior problema. Paulo relata que no momento das divisões, no momento em que impera o egoísmo e a igreja se preocupa com o benefício e vantagem, os irmãos não esperam um pelo outro para comer a Ceia. Eles estavam se reunindo para comer, e comer o seu próprio pão. Estavam preocupados com seu próprio apetite. Mais uma vez Paulo frisa a questão do egoísmo: "Assim, enquanto alguns ficam com fome, outro se embriagam" 1 Coríntios 11:21. Opa! Então o vinho da Ceia embriagava? SIM! Que surpresa não?


Bom, continuando, Paulo diz: “Será que vocês não têm casa onde comer e beber?” Veja que ensinamento magnífico temos aqui! A mesa do Senhor não é para comer e beber, este não é o objetivo principal, pois Paulo mesmo diz que isso poderia ser feito em casa. E que conclusão podemos tirar deste relato? Que para atender nossas necessidades, para satisfazer nossos desejos, para se preocupar com nossos próprios interesses, temos a nossa casa! O tempo de comunhão, é momento de olhar um para o outro! "Mas Dani, e os meus problemas? Preciso de ajuda, de suporte, de oração!" Pois então, se a Igreja começar a colocar em prática o real significado da Ceia, cada parte do corpo terá suas necessidades supridas!


Se a nossa motivação ao celebrar a Ceia for a nossa fome e a nossa sede, ou seja, nossos próprios interesses, não estamos adquirindo conhecimento de Deus ao tomá-la. Pois quem experimenta de Cristo NUNCA MAIS terá sede, ou seja, NUNCA MAIS terá o seu próprio interesse como prioridade ou como principal motivação ao se reunir como Igreja (Jo 4:14). Mas teremos o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, e cada um considerará o outro e os interesses do outro antes dos seus próprios, conforme Filipenses 2:3 à 7. O momento do ajuntamento, é momento de orarmos uns pelos outros. "Mas e o meu momento de comunhão com Deus? E os pedidos e agradecimentos que tenho que fazer à Ele?" Paulo responde: Pra isso você tem a sua casa!


Mas para as igrejas de hoje não é interessante falar e escutar sobre este assunto, não é mesmo? É por este motivo que as nossas reuniões andam fazendo mais mal do que bem. Temos muitas igrejas cheias, mas vazias espiritualmente, igrejas que dão a luz à pessoas que não tem capacidade de se reproduzir e caminhar sozinhas. Elas vivem na dependência da igreja, um verdadeiro berçário que mama eternamente na “teta” da grande “mãe”. Reúnem-se para serem acariciados em seus caprichos e interesses pessoais, colocando as suas prioridades na frente das prioridades do outro: “Quero carinho, quero leitinho, quero remedinho, troca a minha fralda, me leva ao médico, estou dodói, fiquei magoado, me dá a bênção senão eu choro, vou bater o pé até receber o que eu pedi..." 


E o leitinho que é oferecido nesses grandes "berçários", alimenta por pouco tempo, pois não tem sustância alguma. A “grande mãe” precisa que seus bebês retornem, por isso não oferece à eles alimento sólido e estímulo para caminharem sozinhos, pois para ela, é interessante que seus liderados não amadureçam espiritualmente. Pois se eles adquirirem conhecimento de Deus, passarão a doar suas vidas e a repartir com o outro aquilo que receberam do Senhor. Se tornarão independentes e verdadeiros reprodutores! E com isso, a igreja acaba perdendo ($$). Por isso insiste em oferecer apenas uma sopa rala, sem nutrientes. Certa vez ouvi um líder de uma dessas grandes igrejas dizendo: "Dou à eles o que eles e querem (pão sem nutrientes e circo) e eles me dão o que eu quero ($$)". 

E o que dizer dos louvores que chegaram ao ápice do egoísmo? Graças à Deus pelos autores que realmente anunciam a grandeza de Deus e as verdades de sua Palavra! Autores que se salvam dos repertórios egocêntricos recheados de: "para mim", "eu quero", "meu", minha bênção", "me enche", "faz em mim", "minha vida", "eu posso", "eu determino", "eu, eu, EU"! Como chamar de adoração a Deus músicas que estimulam o anseio pela realização de benefícios próprios? Irmãos, este definitivamente não é o espírito do ensinamento que Cristo nos trouxe ao instituir a Ceia!


A mesa do Senhor é aquela que esperamos um pelo outro, aquela que ninguém come o seu próprio pão. Mas a mesa de demônios é aquela que o nosso apetite fala mais alto, onde somos atraídos pela susceptibilidade das nossas carências. Aí vamos a igreja em busca de coisas que vão nos atender, nos consolar e suprir as nossas necessidades emocionais. E o que acontece? Comemos primeiro e repartimos depois. Isso quando repartimos! Sabe por que muitas orações não são ouvidas? Porque estamos pedindo a Deus a mudança do outro para nossa vida ficar melhor. Somos egoístas! Os bons cristãos, os verdadeiros imitadores de Cristo, deveriam pedir a Deus a sua própria mudança para a vida do outro ficar melhor. Isso sim é amor!


Existe melhor exemplo que o de Cristo? Que durante todo o tempo em que esteve aqui repartiu de si até o ponto de entregar a própria vida? A mesa do Senhor é aquela que, ao recebermos o pão, damos graças, porque dando graças, confessamos a verdadeira origem do pão. Na grande maioria das vezes, quando recebemos algo de bom, o nosso instinto humano nos leva a pensar: "Isto é meu, eu consegui com meu esforço, meu empenho, meu jejum, minha oração, meu sacrifício, foi o preço que EU paguei! Por isso tenho o direito de usufruir antes de repartir".


Mas quando eu aprendo a dar graças por tudo o que recebo, entendo que o pão não é meu, porque vem de origem dadivosa. Não é um salário ou uma recompensa pelo meu esforço. E se é uma dádiva, ele não é meu, é NOSSO. Eu não tenho direitos adquiridos sobre ele. Deus me entregou para que eu pudesse abençoar outras vidas. Temos a mania de achar que todo o bem que recebemos é um merecimento sobre os nossos acertos. Agora, se eu tenho consciência dos meus erros e da minha miséria, eu me torno uma pessoa grata, vivo em pleno estado de gratidão: “Deus depositou na minha vida muito mais do que eu realmente merecia. E se está sobrando, então eu tenho que de depositar na vida dos outros”. 

Acho magnífica a oração que Jesus faz no capítulo 17 de João. Ele expressa um coração agradecido por tudo o que recebeu do Pai, e juntamente com a gratidão, transmite o desejo intenso de repartir com os que creram e com aqueles que ainda hão de crer! E com qual finalidade? A união, a comunhão! "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim."


Esta é a mesa, aquela que primeiro dá graças! Assim que Jesus pegou o pão, ele deu graças, o partiu e disse: “Fazei isto em memória de mim”. Isto o que? REPARTIR! Já que é uma dádiva, eu não posso comer dele sem repartir! Muitas pessoas adquirem carros, casas, bens, recebem aumento de salário... Então oram a Deus pedindo que proteja e abençoe. Sabe de uma coisa? Quando você entrega algo nas mãos de Jesus, Ele dá graças e reparte! Se você deseja algo inteiro na sua vida, então não coloque nas mãos de Deus!


“Mas isso é tão caro, tem um valor tão grande pra família, é tão valioso...”, “Mas o carro é tão novinho pra dar carona à tanta gente!”, “Mas minha casa está tão limpinha pra receber uma turma de jovens...”, “Meus filhos não podem conviver com crianças fedidas e piolhentas!”, "Estou sem seguro do carro, não posso fazer uma visita...", "Não posso ir ao hospital visitar o irmão doente, hoje é dia de manicure!", "Abrir a porta da minha casa para receber os irmãos? De jeito nenhum!" Conheci um pastor que convidou a igreja para uma reunião no seu lar, e na hora "H", levou os irmãos para o salão da igreja... Só rindo pra não chorar. Meu irmão, aquele bem que Deus entregou em suas mãos, seja ele qual for, Ele te deu para repartir e abençoar outras vidas e não para servir aos seus interesses individuais!


Jesus disse: Comam DESTE pão. Que pão? O pão partido! Porque todas as vezes que comerem DESTE pão, ou seja, quando você se preocupa com a necessidade do outro e reparte o que tem, está anunciando a morte de Cristo até que Ele venha! Então queridos, o princípio essencial da Ceia não é comer o pão, mas o repartir! A gente se reúne como Igreja não para comer, mas para dividir. E ao final, todos comerão pães partidos. Jesus, quando recebeu os cinco pães e os dois peixes, o que fez? Ele deu graças e REPARTIU! E os discípulos recolheram doze cestos de PEDAÇOS que sobraram, e não doze cestos de pães inteiros! O pão, a dádiva que Jesus abençoa, nunca sobram inteiros! ESTA É A MESA! E é por isso que as nossas reuniões andam fazendo mais mal do que bem, porque quando acontece o ajuntamento, todos estão preocupados com seus próprios interesses. Preocupados em suprir suas necessidades espirituais, emocionais e materiais!


E você também deve ter aprendido na igreja que o homem precisa examinar a si mesmo antes de participar da Ceia, correto? Então, no momento 'pré-ceia', toda a comunidade entra naquele clima 'zen', acontece um pedido de perdão coletivo e ouve-se um burburinho na igreja: “Senhor, o que eu fiz de errado? Será que eu estou realmente purificado para tomar a Ceia?” Ou seja, mais uma vez estamos olhando para o nosso próprio umbigo. A Palavra de Paulo e de Jesus não é para que você encontre pecado na sua vida no momento de participar da mesa. Paulo mesmo disse: Faça isto em casa! O arrependimento deve ser uma constante na vida do cristão, ele não precisa esperar a Ceia, o culto ou o "momento de confissão" para reconhecer seus erros. Além disso, o pecador deveria ser o primeiro a ser acolhido, amado e inserido na celebração da Ceia, para que através do partir do pão, da comunhão e do amor que ensina e exorta, ele receba a revelação de quem ele é e do sacrifício que Cristo fez por ele na Cruz. De forma que a sua única saída seja crer, se arrepender e buscar a transformação em Deus.

Quando Jesus fala sobre examinar a si mesmo, ele está falando daquele que come sem discernir O CORPO, a família, os irmãos! Ele não está falando de discernir a si mesmo. É nisso que estamos comprometendo a natureza dessa mesa! Estamos querendo pedir perdão para poder comer o “pão sagrado” em benefício próprio. Mas a mesa da Ceia tem um significado oposto. O pão só vai ser sagrado quando encontrar o seu verdadeiro propósito, quando vivenciar o seu destino original. O pão não se torna sagrado quando está inteiro, mas sim quando é partido. Ele seria corrupto se permanecesse inteiro. 

Mas aí o crente quer ser o grão de areia do pão, aquele pedaço que não se parte, e sai quebrando os dentes de todo o mundo! Ele não reparte a sua vida, não reparte seu tempo, não reparte sua casa, não reparte seu carro, não reparte seu dinheiro, seu dom... Querido, 'prestenção': é a esperança de ver o outro alimentado que enche o nosso coração e faz o sofrimento de ser “rasgado ao meio” possível!

"Mas e as crianças Dani, podem participar da Ceia?" A partir do momento que entendemos o verdadeiro significado deste sacramento, esse questionamento perde o sentido. Mas se você ainda tem dúvidas, aí vai: "Jesus disse: Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas". Lc 18:16. As crianças fazem parte do corpo, e mais do que isso, elas servem como modelo para nós! Não tem sentido algum excluí-las da comunhão e do partir do pão. Além disso, existe melhor oportunidade do que esta? Ensiná-las através do nosso testemunho e aprender com o testemunho delas? 



E você tem total liberdade de celebrar a Ceia também na sua casa amado! Há uma autoridade espiritual pedagógica nessa prática. Isso traz cura! Quando o “bicho” estiver pegando nos seus relacionamentos, é hora de parar e repartir o pão. É durante as divergências que colocamos em prática o ensino que a Ceia nos traz. Você pode até ter dúvidas a respeito do comportamento do seu cônjuge, amigo ou familiar, mas isso nunca pode colocar em cheque a convicção do que representam na vida um do outro e da natureza desta relação. E esta certeza nós só alcançamos quando repartimos o pão e nos tornamos parte do mesmo pão, que é o corpo de Cristo. É deste modo que todo o espírito de facção, divisão e contendas é destruído.

 
Percebe como a igreja tem distorcido muitas verdades Bíblicas? O celebrar a Ceia não é privilégio de alguns. Você não precisa ter um diploma, um título ou um cargo para "ministrar a Ceia". Todos os que creram têm esse direito, aliás, esse dever! Fazemos parte de um corpo onde ninguém é maior ou melhor do que ninguém. E neste corpo existe apenas uma cabeça: Cristo! Deus nos chamou para sermos livres, mas a igreja insiste em nos acorrentar com suas regras e doutrinas sem fundamento. 

É momento de acordar e agir! Momento de buscar alimento sólido e caminhar com as próprias pernas, partindo o pão e celebrando a Ceia pelo chão da vida!

 

 Dani Marques


Este texto que você acabou de ler é uma mistura entre um pedaço de pão cheio de nutrientes que recebi do Pr. Paulo Jr. através de uma pregação e de mais algumas coisas que tenho aprendido com o Senhor. Recebi este pão, dei graças e reparti com vocês. Agora vão e façam o mesmo...